Madame Saatan Chega ao CD Bem Temperada e Amadurecida!

No último dia de novembro passado, recebi da Ná Records (gravadora da Ná Figuredo) o CD do grupo paraense Madame Saatan. Disquinho muito bem embalado naquelas capinhas de papelão com livretinho e tudo! É o primeiro CD oficial da banda – hoje em dia se diz muito isso por conta da dureza em que vive a música independente; as bandas gravam várias demos caseiras até juntar grana ou captar recursos nos projetos de incentivo à cultura para bancar um estúdio e uma gráfica decentes. Mas o mais importante é a música, claro. As dez faixas do disco homônimo do Madame Saatan foram produzidas por Jera Cravo, gravadas mais de uma ano antes (é, demora pra sair!) no estúdio Meio do Mundo em Belém (não, não é o fim do mundo, com certeza!), mixadas e masterizadas na Bahia, no Vértice Estúdio, mas com direção musical do paraense veterano Alcir Meireles. Tudo isso graças aos bons contatos estabelecidos pela banda ao longo de três anos de pernadas pelo Brasil em festivais de rock e música independente.

Acompanhando as tendências híbridas da cena independente, o “Madame”, apesar da predominância heavy metal, procura se livrar de modelos e referências. Aquele velho papo: “nossas influências são Beatles, Legião Urbana e MPB” não rola mais. A banda faz o seu som com uma energia sincera. “Porrada” bem temperada, bem produzida, um som que já foi bastante ensaiado nas noitadas de Belém e, por isso, tá redondinho! Como diz o release da banda, as influências são sutis, e esse é o único segredo: fluir naturalmente, sem forçar a barra. Assim, o carimbó, a guitarrada, o lundum e o samba aparecem como efeitos muito bem empregados e não aquelas “misturas” que a gente vê inventarem nos programas de TV…

A primeira faixa do CD, “Devorados”, começa para cima e é como se despertasse as “almas insones” para uma cena específica dizendo: “À noite acordam e são devorados / Eles os mesmos, as ruas, as horas”.

A segunda, “Gotas em caos de selva avenida”, tem uma variação de compassos bem legal e o baixo distorcido conduz uma levada de quadrilha no meio da música que faz balançar os quadris.

Ouça aqui a um trecho da segunda faixa do disco:

“Molotov” tem um acabamento de hit, a gente vai logo cantando junto e tal. “Duo” seria a balada do disco, mas não tem nada a ver com aquelas melosidades do Bon Jovi (ufa!). Já “Vela” tem uma letra muito legal e trás de novo uma variação de compassos, sempre oportuna. “Cine trash” já começa no ritmo de samba e logo comporta as guitarras pesadas, a bateria fica brincando sem perder o andamento. “Apocalipse” convoca: “Homens, honrem suas calças, vistam suas fardas, lutem com bravura, honrem o rei de duas caras” em várias insinuações sobre a hipocrisia e cara-de-pau da ordem estabelecida; no encarte do CD, abaixo da letra, tem a figura de um homem empaletozado fazendo xixi na cara-dura. “Ele queima ela sorri” começa lenta pra depois pegar embalo e abrir espaço pra outro hit: “Messalina blues”; e do blues vão ao jazz pra fechar o CD com “Prometeu” (calma, nada é fora de contexto, o jazz aí é usado como tempero, pimenta-do-reino).

É isso, amigos, o Madame está amadurecido. E isso significa fazer jus ao título de independente, ou seja, tomar as próprias decisões, fazer um trabalho musical honesto, de coração, e sair tocando por aí. Essa é a nova cena, mais do que qualquer tendência ou estilo, é mão na massa. Sítios da banda:

http://www.myspace.com/madamesaatan
http://www.tramavirtual.com.br/madame_saatan

Este texto é uma parceria com o sítio 100grana.com e também está publicado lá, clicando AQUI.

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