O espetáculo “Iracema Voa”, inspirado na vida e obra da artista paraense Iracema Oliveira, e resultado de pesquisa financiada pelo Instituto de Artes do Pará, encerra mais uma temporada nessa terça e quarta. Idealizado e protagonizado por Ester Sá, a peça conta com produção bastante participativa de André Mardock.
SERVIÇO: “Iracema Voa”. Local: Espaço Cuíra (R. Riachuelo, esquina com 1º de Março, Campina, Belém-PA). Datas: 6 e 7/10/2009. Hora: 19h. Ingressos: R$ 20,00.
Dois novos livros recentemente publicados somam esforços na documentação do teatro feito no Pará e na região amazônica.
O texto “Teatro de Vanguarda – o Norte Teatro Escola do Pará e os Festivais de Teatro de Estudantes” (Ed. Paka-Tatu), é resultado de intensa pesquisa histórica de Paraguassú Élere, que remonta às incursões do grupo Norte Teatro entre os anos de 1958 e 1962. Da época, vêm figuras atuantes da cena local como Maria Sylvia e Benedito Nunes, Fernando Pena, Aita Altmann, e o próprio autor.
Já “A cidade dos encantados: pajelanças, feitiçarias e religiões afro-brasileiras na Amazônia, 1870-1950” (EdUFPA), de Aldrin Moura de Figueiredo, é resultado de pesquisa acadêmica sobre a história cultural das práticas religiosas na Amazônia e suas variadas formas de interpretação nos últimos 150 anos. Apesar de não estar diretamente ligada ao teatro, a publicação atrai a atenção de pesquisadores e realizadores da área como fonte histórica até então inédita.
O músico e pesquisador paraense Fábio Cavalcante disponibilizou recentemente duas compilações de seus trabalhados de composição que estavam até então dispersos ou sem registro.
O primeiro disco reúne trilhas sonoras produzidas pra teatro e vídeo; e o segundo, denominado “Volume Zero”, trás músicas que haviam sido gravadas entre 1999 e 2000, inspiradas nos gêneros populares do Norte e arranjadas com instrumentos eletrônicos e acústicos.
Os discos podem ser ouvidos ou baixados nos links abaixo:
Eliakim Rufino, Neuber Uchôa e Zeca Preto são as estrelas do documentário “Roraimeira: Expressão Amazônica”, dirigido pelo conterrâneo Thiago Briglia e lançado no mês de agosto pela TV Cultura.
Na próxima terça-feira, 1 de setembro, as emissoras da Cultura apresentam, a partir das 23h10, o vídeo documentário em média-metragem. O filme foi idealizado como uma comemoração pelos vinte e cinco anos do movimento cultural Roraimeira, que sacudiu Boa Vista durante as décadas de 1980 e 90, envolvendo artistas e realizadores culturais da cidade nas áreas das artes plásticas, música, dança e fotografia. A vida na fronteira e a pluralidade cultural foram o cenário que possibilitou aos artistas roraimenses uma reflexão poética sobre sua formação popular.
O documentário acompanha o lançamento do CD “Roraimeira: o canto de Roraima”, com 15 canções de Rufino, Uchôa e Preto. Aparecem no vídeo os cantores Nilson Chaves e Vânia Coelho.
Sonoridade pop é a marca do novo disco da cantora, que traz 13 canções inéditas em arranjos impecáveis.
por Marcello Gabbay
Músico e Doutorando em Comunicação e Cultura pela UFRJ
E vem à luz o segundo CD da cantora Lia Sophia. Resultado de um esforço artístico sustentado pela mais nova e principal forma de produção musical do Brasil: a lei de incentivo à cultura. Governos e empresas privadas se unem no fomento ao disco. Bem, nesse caso, os recursos foram aplicados num produto muito bem acabado. O CD é esmerado, internamente, conta com os instrumentistas e arranjadores mais requisitados da cidade. O trabalho de mixagem e masterização foi feito no Rio de Janeiro. As fotos – de muito bom gosto – de Luiz Braga. O lindo projeto gráfico é dos paraenses da Casa Brazilis Design. A gravação, feita no estúdio Midas dos papas Luiz Pardal e Jacinto Kahwage.
Mas técnica a parte, o repertório – que segundo a cantora se ambienta na sonoridade dos anos 1960 e 70 – é todo inédito e assinado por Lia Sophia, com exceção de duas músicas compostas em parceria com o pernambucano Sóstenes. Entre baladas românticas, iê iê iês, um reggae, e um jazz “sutilmente” Brega, a marca geral do disco é o formato pop. Porém, vale ressaltar, um bom pop, o melhor possível. As canções estão muito bem arranjadas e gravadas. Ao passar o olho no encarte reconhecemos todos os nomes dos músicos, o tarimbado Adelbert Carneiro assina mais uma de suas inúmeras direções musicais; o maestro Luiz Pardal, os arranjos de cordas, sopros e direção vocal, muitas vezes divididos com a assinatura de Lia. O onipresente Esdras de Souza assume os sopros junto de Daniel Delatuche e Jó Ribeiro. Nas guitarras, David Amorim deixa sua pegada característica, e na bateria, Edvaldo Cavalcante segura a levada. Ao que parece, Lia Sophia recorreu aos grandes, mas soube extrair deles o som de uma banda pop, às vezes baile, às vezes rock, mas sempre impecável.
Castelo de Luz é um CD que todos vão gostar de ouvir, especialmente aqueles que há muito acompanham a cantora e seu violão nos bares da noite belenense. Temos um disco pop completo, tão bom quanto – senão melhor – os mais novos lançamentos de Zélia Duncan, Ana Carolina ou Céu.